Do silêncio da zona rural de Tiradentes nasce um som diferente dos que ali já se tornaram familiares: o som do barro sendo moldado pelas mãos.
No coração da comunidade do Elvas, um grupo de mulheres descobriu que a terra não serve apenas para alimentar o corpo, mas também a alma. O que começou como um convite tímido para experimentar a argila acabou se transformando em uma história de transformação, liberdade criativa e pertencimento.
O Elvas, afastado do agito do centro histórico, é um lugar de vida simples e rotinas tranquilas. Antes, muitas dessas mulheres encontravam no bordado e no crochê o principal refúgio para a criatividade. Mas tudo mudou há cerca de três anos, quando Sonia Úrsula, então responsável pela Superintendência da Mulher, chegou à comunidade com um punhado de argila nas mãos e uma proposta ousada: trocar, por algumas horas, a delicadeza das agulhas pela intensidade do barro.
A cada encontro, a curiosidade virou encantamento. E foi assim que nasceu o coletivo Ceramistas do Elvas. Sob a orientação da experiente ceramista Elizabeth Ramos, que acompanha o grupo desde o início, as mulheres começaram a desenvolver técnica, criar peças e encontrar na cerâmica uma nova forma de se expressar. Mais do que produzir objetos, elas passaram a dar vida a sentimentos, memórias e histórias através de cada detalhe moldado.
Hoje, o grupo se reúne religiosamente às terças-feiras, em encontros que vão muito além da produção. Entre risadas, conversas, partilhas e aprendizados, as mulheres do Elvas construíram um espaço de acolhimento e potência criativa. Em 2025, parte desse coletivo participa ativamente das imersões da Semana Criativa de Tiradentes, trazendo suas experiências, explorando novas possibilidades e unindo tradição e inovação.
É com muito orgulho que apresentamos o time de talentos que representa as Ceramistas do Elvas na Semana Criativa de Tiradentes 2025: Andréia Laurindo, Denise Lopes, Josiani de Lima, Maísa Ribeiro, Maria Lopes, Margareth Pereira, Meire Rodrigues, Regina Celi, Rose Ellen, Silvia Gomes e Vera Lúcia.
Cada peça criada por essas mãos carrega mais do que argila: carrega histórias de afeto, união e coragem. Ao visitar a exposição “Design Feito à Mão” durante o festival, prepare-se para sentir tudo isso de perto. Afinal, ali a terra se transforma em arte e a arte, em encontro.